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Tesouraria e finanças

Tesoureiro da igreja: funções, perfil e responsabilidades

Funções do tesoureiro da igreja: atribuições, perfil ideal, rotina semanal e mensal, limites de autoridade e como servir com integridade e segurança.

  • Por Equipe IgrejaControl
  • 10 min de leitura
Capa do artigo sobre funções do tesoureiro da igreja, com título e ilustração de gráficos financeiros em verde-petróleo

As funções do tesoureiro da igreja se resumem em quatro verbos: receber e registrar as entradas, pagar as despesas autorizadas, guardar os documentos e relatar a situação financeira à liderança e à igreja. O tesoureiro não é o dono do dinheiro nem quem decide como ele será gasto; é o servo que administra, com transparência, o que a igreja confiou à tesouraria. A seguir você vai ver as atribuições em detalhe, o perfil a procurar, os limites da autoridade, uma rotina semanal e mensal e como fazer a transição de um tesoureiro para outro.

Se você acabou de ser eleito ou indicado, respire: o cargo é exigente, mas se aprende. E se você é pastor ou membro do conselho procurando alguém para a função, as seções sobre perfil e limites vão ajudar a escolher bem e a proteger quem aceitar o chamado.

O tesoureiro na tradição das igrejas

Administrar os recursos do povo de Deus com fidelidade é uma tarefa antiga. No tempo de Neemias, homens considerados fiéis foram encarregados dos depósitos e da distribuição entre os irmãos (Neemias 13.13). Em Atos 6, a igreja escolheu pessoas de boa reputação para cuidar da distribuição diária, liberando os apóstolos para a oração e a palavra. Paulo lembra que o que se espera de um administrador é que seja achado fiel (1 Coríntios 4.2).

Nas igrejas brasileiras, a função de tesoureiro aparece em quase todos os estatutos, com variações. Em muitas igrejas batistas e congregacionais, o tesoureiro é eleito em assembleia e faz parte da diretoria. Em igrejas presbiterianas, a tesouraria costuma estar ligada ao conselho, e às vezes a um diácono designado. Em igrejas pentecostais e assembleias, há modelos com tesoureiro local e tesouraria central do campo. O cargo tem nomes e ritos diferentes, mas a essência é a mesma. Para ver onde a tesouraria se encaixa na estrutura da igreja, consulte o artigo sobre organograma da igreja.

Muitas igrejas têm um segundo tesoureiro, que substitui o primeiro nas ausências e participa da dupla conferência. É uma prática saudável: ninguém fica sozinho com os valores e a igreja sempre tem alguém preparado.

Atribuições principais

O que faz o tesoureiro da igreja no dia a dia? As atribuições do tesoureiro variam conforme o estatuto, mas quase sempre incluem os quatro blocos abaixo.

Receber e registrar

  • coordenar a contagem das ofertas do culto, sempre com pelo menos outra pessoa;
  • registrar dízimos e ofertas identificados no histórico de cada contribuinte;
  • lançar entradas por Pix, cartão e transferência;
  • separar ofertas com destino específico (missões, construção, ação social);
  • depositar valores em espécie o quanto antes na conta da igreja.

O passo a passo seguro da contagem está em como contar as ofertas do culto.

Pagar com autorização

  • pagar despesas fixas previstas no orçamento (água, luz, aluguel, sustento pastoral);
  • pagar despesas eventuais apenas com a autorização exigida pelo estatuto ou pela regra de alçada;
  • exigir documento fiscal ou recibo adequado antes de pagar;
  • pagar sempre pela conta da igreja, nunca com dinheiro em espécie retirado da oferta.

Guardar documentos

  • arquivar comprovantes de pagamento, notas fiscais, recibos, boletins de contagem e extratos, organizados por mês;
  • manter cópia digital dos documentos importantes;
  • guardar contratos, apólices e documentos do patrimônio;
  • entregar ao contador, no prazo combinado, a documentação do mês.

Relatar à liderança

  • apresentar relatório mensal ao pastor e ao conselho ou diretoria;
  • apoiar o conselho fiscal com os documentos solicitados;
  • preparar, com o contador, a prestação de contas anual à assembleia;
  • informar com antecedência riscos como queda de receita ou contas que não cabem no orçamento.

Perfil: o que procurar em um tesoureiro

Escolher bem é metade do trabalho. O perfil do tesoureiro da igreja combina caráter e habilidade prática.

Caráter e reputação

  • Integridade reconhecida dentro e fora da igreja.
  • Discrição: o tesoureiro sabe quanto cada membro contribui e não comenta isso com ninguém.
  • Humildade para ser conferido: quem se ofende com a dupla conferência ou com o conselho fiscal ainda não entendeu o cargo.
  • Vida financeira pessoal em ordem, sem que isso signifique riqueza; significa responsabilidade.
  • Firmeza gentil para dizer "não posso pagar sem autorização", inclusive ao pastor.

Organização e disponibilidade

  • facilidade com números, planilhas ou sistemas;
  • hábito de registrar tudo no mesmo dia;
  • disponibilidade para estar presente nos cultos de contagem e para ir ao banco quando necessário;
  • disposição para aprender com o contador e com o tesoureiro anterior.

Evite escolher alguém apenas porque "é bom com dinheiro" ou porque é empresário bem-sucedido. Também evite colocar parentes próximos do pastor ou do outro tesoureiro na tesouraria: além de fragilizar o controle, isso expõe a família a suspeitas injustas.

Limites da autoridade do tesoureiro

Muitos problemas nascem de tesoureiros que fazem mais do que deveriam, ou de liderança que espera que o tesoureiro decida sozinho.

Quem autoriza despesas

O tesoureiro executa pagamentos; ele não decide gastos novos. A igreja deve ter por escrito uma regra de alçada, isto é, quem pode autorizar o quê. Um exemplo comum:

Tipo de despesaQuem autorizaRegistro
Despesas fixas previstas no orçamentoJá autorizadas pela aprovação do orçamentoComprovante e lançamento
Despesas eventuais pequenasPastor e tesoureiro, dentro de um valor definidoComprovante e aprovação por escrito
Despesas eventuais maioresConselho ou diretoriaAta da reunião
Obras, compras de patrimônio, empréstimosConforme o estatuto, geralmente conselho ou assembleiaAta

Os valores de cada faixa são definidos por cada igreja. O importante é que existam, estejam escritos e sejam conhecidos.

Decisões que são do conselho

Não cabe ao tesoureiro, sozinho: aumentar o sustento pastoral, contratar funcionários, emprestar dinheiro da igreja a membros, usar recursos de uma oferta designada para outra finalidade, abrir ou encerrar contas bancárias, assinar contratos em nome da igreja. Essas decisões pertencem às instâncias previstas no estatuto. Quando alguém pressionar o tesoureiro a agir fora desses limites, a resposta é sempre a mesma: "leve ao conselho".

Responsabilidade do tesoureiro

Quem administra recursos de terceiros assume responsabilidades. Os detalhes jurídicos dependem de cada caso e devem ser tratados com um advogado. A proteção mais eficaz, porém, é a rotina: registrar tudo, pagar só com autorização, guardar comprovantes, trabalhar em dupla e prestar contas regularmente. Um tesoureiro que segue esses hábitos dificilmente ficará sem resposta diante de uma dúvida.

Rotina semanal e mensal do tesoureiro

Uma rotina previsível evita acúmulo e ansiedade. Um modelo para adaptar:

Em igrejas pequenas, com um único culto e poucas despesas, a rotina pode caber em duas horas por semana. Em igrejas maiores, o trabalho é dividido entre primeiro e segundo tesoureiro, auxiliares de contagem e, às vezes, um funcionário administrativo. O guia completo de tesouraria da igreja mostra o sistema financeiro inteiro em que essa rotina se encaixa.

Tesoureiro e diaconia

Em muitas igrejas, os diáconos recolhem as ofertas e as levam à sala de contagem, e às vezes cuidam da ajuda a famílias necessitadas com recursos da igreja. Vale combinar claramente onde termina a tarefa dos diáconos e começa a da tesouraria, para que nenhum valor circule sem registro. Veja mais sobre esse ministério em função do diácono.

O cuidado espiritual de quem serve na tesouraria

A tesouraria pode ser um serviço solitário e pouco reconhecido. O tesoureiro lida com números que às vezes não fecham, ouve reclamações sobre despesas que não decidiu e carrega informações que não pode compartilhar. Pastores e conselhos fazem bem em orar pelo tesoureiro, agradecer publicamente o serviço (sem expor detalhes) e garantir que ele tenha descanso: rodízio na contagem, férias com substituto e apoio quando os números apertam.

Erros comuns de quem começa na tesouraria

Quase todo tesoureiro novo tropeça nos mesmos pontos. Conhecê-los antes poupa noites de sono:

  • Deixar lançamentos para o fim do mês. Em quatro semanas, a memória falha e os comprovantes se perdem. Lance no mesmo dia ou, no máximo, no dia seguinte.
  • Pagar "só desta vez" sem comprovante. A exceção vira hábito e, no fechamento anual, ninguém lembra do que era aquele pagamento.
  • Guardar dinheiro em casa. Mesmo com boa intenção, isso expõe o tesoureiro a riscos de segurança e a suspeitas. Deposite ou use o cofre da igreja.
  • Adiantar dinheiro do próprio bolso. Cobrir uma conta urgente com recursos pessoais e se reembolsar depois mistura patrimônios. Se a igreja não tem saldo, o problema deve ir à liderança.
  • Assumir tudo sozinho. Sem segundo tesoureiro e sem auxiliares, o cargo vira fardo e a igreja fica vulnerável quando o tesoureiro adoece ou viaja.
  • Ver o conselho fiscal como adversário. O conselho fiscal da igreja existe para atestar o trabalho da tesouraria. Um tesoureiro que entrega documentos organizados e recebe bem as perguntas sai de cada exame mais fortalecido.

Uma boa prática é combinar com o conselho fiscal, logo no início do mandato, quais documentos serão entregues em cada reunião. Assim, a conferência vira rotina, e não um evento tenso.

Tesoureiro de congregação

Em igrejas com congregações, é comum haver um responsável financeiro local que conta as ofertas, faz pequenos pagamentos e envia os valores e documentos à tesouraria central. As mesmas regras valem em escala menor: dupla na contagem, depósito rápido, comprovante para tudo e prestação de contas mensal à sede. O tesoureiro central orienta, treina e confere, sem tirar a responsabilidade de quem está na ponta.

Transição de cargo: como passar a tesouraria

A troca de tesoureiro é um momento de risco se for feita às pressas. Uma boa transição protege quem sai e quem entra.

Termo de entrega

Faça um termo de entrega assinado pelo tesoureiro que sai, pelo que entra e, de preferência, por um membro do conselho fiscal. Ele deve conter:

  1. saldo de cada conta bancária na data da entrega, com extrato anexo;
  2. saldo em espécie, contado na hora;
  3. relação de contas a pagar e a receber em aberto;
  4. lista de documentos entregues (pastas, arquivos digitais, talões, cartões, senhas de sistemas);
  5. pendências conhecidas e sua explicação.

Se possível, faça a entrega logo após o fechamento de um mês, com a conciliação em dia.

Troca de assinaturas no banco

Leve ao banco a ata da eleição ou nomeação e os documentos exigidos para atualizar os responsáveis pela conta. Retire os acessos do tesoureiro anterior (assinaturas, internet banking, cartões) no mesmo processo. Enquanto a troca não se concretiza, combine por escrito como os pagamentos urgentes serão feitos. Troque também as senhas e permissões do sistema financeiro da igreja.

Na prática com o IgrejaControl

O IgrejaControl foi pensado para facilitar a vida de quem serve na tesouraria:

  • tesouraria de culto: registro dos valores por tipo e forma de pagamento, com fechamento concluído pela conferência de dois tesoureiros;
  • dízimos e ofertas por membro: cada contribuição identificada vai para o histórico do contribuinte, base para o carnê e a declaração de contribuição;
  • contas a pagar e a receber: com parcelas, recorrência, fornecedores e comprovantes anexados;
  • permissões por perfil: tesoureiro, segundo tesoureiro, pastor e conselho fiscal enxergam o que precisam, cada um no seu papel;
  • histórico completo: na transição de mandato, o novo tesoureiro encontra tudo registrado, e não cadernos e planilhas espalhados.

Conheça como o sistema funciona na prática.

Um último conselho

Se você é o novo tesoureiro, comece pelo simples: conheça o estatuto, peça ao tesoureiro anterior uma transição organizada, combine com o pastor a regra de alçada e marque na agenda o fechamento mensal. Não tenha vergonha de perguntar ao contador. A fidelidade no pouco, feita semana após semana, é o que dá à igreja confiança para contribuir e a você paz para servir.

Perguntas frequentes

O tesoureiro da igreja pode ser remunerado?

Na maioria das igrejas, o tesoureiro é um voluntário eleito ou nomeado. Algumas igrejas maiores contratam um funcionário administrativo ou financeiro, com vínculo e obrigações trabalhistas próprias, e mantêm o tesoureiro eleito como responsável institucional. A decisão depende do estatuto e deve ser tratada com o contador.

O tesoureiro responde pessoalmente por erros?

A responsabilidade civil ou penal de quem administra recursos de uma organização é um tema jurídico que depende dos fatos e da legislação. O melhor caminho é prevenir: registrar tudo, pagar só com autorização, guardar comprovantes e trabalhar com dupla conferência. Em qualquer dúvida concreta, procure um advogado.

Quanto tempo dura o mandato de tesoureiro?

Depende do estatuto da igreja ou das normas da denominação. Mandatos de um a dois anos, com possibilidade de reeleição, são comuns. Rodízios periódicos são saudáveis, porque evitam que a tesouraria dependa de uma única pessoa e facilitam a formação de novos tesoureiros.

O tesoureiro precisa entender de contabilidade?

Não precisa ser contador, mas precisa ter organização, familiaridade com números e disposição para aprender. A contabilidade formal é feita pelo profissional contábil contratado pela igreja; o tesoureiro cuida de registrar corretamente, guardar documentos e conferir extratos, entregando ao contador informações completas.

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Conteúdo da equipe editorial do IgrejaControl, o sistema de gestão de igrejas da Gálago Sistemas. Escrevemos para pastores, tesoureiros, secretários e líderes, com respeito às diferentes tradições evangélicas. Os textos são informativos e não substituem a orientação de um contador, advogado ou do conselho da sua igreja.

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