Pular para o conteúdo
Hinologia e música sacra

Salmos na adoração: como cantar e ler os Salmos na igreja

Como usar os Salmos no culto: leitura responsiva, salmos metrificados, cânticos baseados nos Salmos e a variedade de lamentos, louvores e confissões.

  • Por Equipe IgrejaControl
  • 9 min de leitura
Capa do artigo sobre salmos no culto, com título e ilustração abstrata de música e hinologia em verde-petróleo

Usar salmos no culto é devolver à igreja o hinário mais antigo do povo de Deus: os 150 salmos podem ser lidos em voz alta, lidos de forma responsiva entre o dirigente e a congregação, orados, cantados em versões metrificadas ou em cânticos inspirados neles. Eles oferecem ao culto algo raro: uma variedade de louvores, lamentos, confissões, ações de graças e reflexões de sabedoria que cobre toda a experiência humana diante de Deus. A seguir você vai ver os tipos de salmos e seus usos, as diferentes tradições sobre o canto dos Salmos, como fazer leitura responsiva, o que são salmos metrificados e um roteiro para usar um salmo em quatro momentos do culto.

As igrejas evangélicas têm práticas bem diferentes em relação aos Salmos. Algumas cantam apenas Salmos no culto público; outras os cantam junto com hinos e cânticos; outras quase só os leem. Este guia apresenta essas posições com respeito e oferece ideias práticas para quem quer dar mais espaço aos Salmos na adoração da sua igreja.

Os Salmos como hinário do povo de Deus

O livro de Salmos reúne cânticos e orações compostos ao longo de séculos e usados no culto de Israel. Muitos têm indicações musicais e litúrgicas em seus títulos, o que mostra que foram feitos para ser cantados em comunidade. Jesus e os discípulos cantaram um hino antes de sair para o monte das Oliveiras (Mateus 26.30), e muitos estudiosos entendem que se tratava dos salmos tradicionalmente cantados na Páscoa. Paulo menciona salmos entre as formas de a igreja se edificar cantando (Colossenses 3.16).

Ao longo da história da igreja, os Salmos foram presença constante: nas orações das comunidades monásticas, nos saltérios da Reforma, nos hinos que os parafraseiam e nos cânticos contemporâneos que citam seus versos. Para muitos cristãos, os Salmos ensinam a orar, porque colocam na boca palavras que eles mesmos não saberiam encontrar.

Há uma razão pastoral forte para usar os Salmos: eles dão voz a toda a experiência da igreja. Na mesma congregação, num mesmo domingo, há quem esteja celebrando um nascimento e quem esteja de luto, quem esteja arrependido e quem esteja confuso. Os Salmos têm palavras para todos.

Tipos de salmos e seus usos no culto

Os estudiosos classificam os salmos de formas variadas. Para uso prático no culto, uma divisão simples ajuda.

Louvor

Salmos que exaltam a grandeza, a bondade e os feitos de Deus, como os Salmos 100, 103, 145 a 150. São ideais para a abertura do culto, o chamado à adoração e momentos de celebração. O Salmo 100, por exemplo, convida toda a terra a servir ao Senhor com alegria e a entrar por suas portas com ações de graças.

Lamento

Salmos em que o salmista clama a Deus em meio ao sofrimento, à doença, à perseguição ou à sensação de abandono, como os Salmos 13, 22, 42 e 43, 88. Muitos terminam com uma declaração de confiança; alguns, como o 88, não. São valiosos em cultos de oração, em tempos de crise na comunidade e em cultos fúnebres, como mostra o artigo sobre mensagem para culto fúnebre.

Confissão

Salmos penitenciais, como o 32, o 51 e o 130, expressam arrependimento, pedido de perdão e alegria pela graça recebida. Encaixam-se bem antes da ceia, em momentos de confissão do culto e em períodos como a Quaresma, nas igrejas que seguem o calendário cristão.

Sabedoria e realeza

Salmos de sabedoria, como o 1, o 37 e o 119, refletem sobre o caminho do justo e o valor da lei de Deus. Salmos reais, como o 2, o 72 e o 110, falam do rei ungido e são lidos pelo Novo Testamento como apontando para Cristo. São ótimos para a leitura bíblica que antecede a pregação e para séries de ensino.

TipoExemplosMomento do culto
Louvor100, 103, 145–150Abertura, chamado à adoração
Lamento13, 22, 42–43, 88Oração, cultos em tempo de crise, funerais
Confissão32, 51, 130Confissão, preparação para a ceia
Ação de graças30, 34, 116Testemunhos, ofertório
Sabedoria1, 37, 119Leitura bíblica, ensino
Realeza e messiânicos2, 72, 110Advento, Páscoa, Ascensão

Tradições sobre o canto dos Salmos

As igrejas têm convicções diferentes sobre o lugar dos Salmos no canto do culto. É importante conhecê-las com justiça.

Salmodia exclusiva

A salmodia exclusiva é a posição de algumas igrejas reformadas e presbiterianas que cantam, no culto público, apenas os Salmos bíblicos. O argumento central é que Deus deu à igreja um hinário inspirado, e que o culto deve se limitar ao que Ele prescreveu. Muitas dessas igrejas cantam os Salmos em versões metrificadas e sem acompanhamento instrumental. É uma tradição com raízes na Reforma, especialmente nas igrejas escocesas e de outros ramos reformados.

Salmos junto com hinos e cânticos

A maioria das igrejas evangélicas, incluindo muitas reformadas, batistas, metodistas, luteranas, anglicanas e pentecostais, entende que a igreja pode cantar, além dos Salmos, hinos e cânticos compostos ao longo da história, desde que fiéis às Escrituras. Essas igrejas costumam citar a menção a "salmos, hinos e cânticos espirituais" (Efésios 5.19) como indicação de variedade. Nessa visão, os Salmos continuam tendo lugar especial, mas não exclusivo.

Seja qual for a convicção da sua igreja, vale reconhecer que ambas as tradições desejam o mesmo: um culto fiel à Palavra de Deus. Siga a confissão e a orientação da sua liderança e trate com respeito quem pensa diferente.

Leitura responsiva e leitura pública

A forma mais simples de trazer os Salmos ao culto é lê-los em voz alta. A leitura responsiva dos salmos envolve a congregação e ajuda todos a prestar atenção ao texto.

Formas comuns:

  1. Dirigente e congregação alternando versículos: o dirigente lê os versículos ímpares, a igreja os pares.
  2. Dois lados da igreja: o lado esquerdo e o direito alternam as frases, como um diálogo.
  3. Refrão congregacional: o dirigente lê cada linha e a igreja responde sempre com a mesma frase. O Salmo 136 é o exemplo clássico, com o refrão que declara que a misericórdia de Deus dura para sempre.
  4. Leitura em uníssono: toda a igreja lê junto um salmo curto, como o 23 ou o 121.
  5. Leitura dramática: várias vozes leem partes diferentes, útil em salmos com diálogo ou mudança de interlocutor.

Dicas práticas: projete ou imprima o texto com as partes de cada grupo bem marcadas (em negrito, por exemplo), use a mesma tradução em toda a leitura e ensaie o ritmo com o dirigente. O dirigente deve ler com clareza e sem pressa, dando tempo para a congregação responder.

Salmos metrificados e saltérios

Salmos metrificados são versões dos Salmos adaptadas em versos com número regular de sílabas e rimas, para que possam ser cantados em melodias de hino. Um saltério é uma coleção de salmos preparada para o canto ou a leitura no culto.

Na história da Reforma, os saltérios tiveram papel importante. O Saltério de Genebra, do século 16, e os saltérios escoceses são exemplos conhecidos, que marcaram gerações de igrejas reformadas. Em língua portuguesa, igrejas reformadas e presbiterianas têm trabalhado em versões metrificadas dos Salmos, e alguns hinários usados no Brasil trazem salmos adaptados para o canto.

Se a sua igreja quer cantar salmos na igreja em versões metrificadas, consulte a sua denominação ou igrejas que praticam a salmodia para conhecer os saltérios disponíveis, as melodias usadas e as edições em uso. Comece com salmos de melodias simples e ensine um por vez, repetindo-o por algumas semanas.

Cânticos contemporâneos inspirados nos Salmos

Muitos cânticos contemporâneos em português se baseiam em salmos ou citam trechos deles. Isso é uma porta de entrada natural para igrejas que não usam saltério. Algumas sugestões:

  • antes de cantar um cântico inspirado em um salmo, leia o salmo original ou parte dele;
  • escolha cânticos que respeitem o sentido do salmo, e não apenas usem uma frase fora de contexto;
  • explore salmos menos cantados, como os de lamento e confissão, que são raros no repertório contemporâneo.

O critério para escolher é o mesmo de qualquer repertório: fidelidade ao texto e possibilidade real de a congregação cantar. O artigo sobre canto congregacional traz orientações para ajudar a igreja a participar.

Roteiro: um salmo em quatro momentos do culto

Uma forma simples de dar destaque aos Salmos é escolher um salmo e usá-lo ao longo de todo o culto. Veja um exemplo com o Salmo 103:

Esse roteiro pode ser adaptado à ordem de culto da sua igreja, seja ela mais litúrgica ou mais livre. Em igrejas com pregação sequencial, o pregador pode, de tempos em tempos, pregar um salmo; o artigo sobre pregar no Antigo Testamento ajuda nessa tarefa.

Lamentos no culto: um espaço esquecido

Um terço dos salmos, aproximadamente, tem elementos de lamento. No culto de muitas igrejas, porém, quase tudo é celebração. Isso pode transmitir a ideia de que não há lugar para a dor diante de Deus, e muitas pessoas feridas se sentem deslocadas.

Os salmos de lamento ensinam que a fé também pergunta "até quando?" (Salmo 13.1), chora, reclama e, ainda assim, se dirige a Deus. Incluir lamentos no culto:

  • acolhe quem está sofrendo, dando voz ao que sente;
  • ensina a orar nas crises, em vez de fingir que está tudo bem;
  • prepara a igreja para tragédias coletivas, como a perda de um membro querido ou uma calamidade na cidade;
  • dá realismo à esperança, porque a confiança do salmista nasce no meio da dor.

Os salmos imprecatórios, que pedem a Deus que faça justiça contra os inimigos, exigem explicação cuidadosa. Eles expressam dor diante de injustiças graves e entregam a vingança a Deus, em vez de praticá-la. Lidos com contexto e à luz do ensino de Jesus, podem ajudar vítimas de injustiça a levar sua dor a Deus.

Como organizar isso na rotina da igreja

Dar espaço aos Salmos exige apenas um pouco de planejamento: escolher o salmo da semana junto com a pregação, preparar a leitura responsiva e combinar com o ministério de música. No IgrejaControl, a Bíblia e os hinários da igreja ficam no app do membro, o que facilita acompanhar a leitura responsiva e os salmos cantados, e o módulo de Hinários tem modo projeção para os hinos escolhidos. Para uma visão mais ampla, veja o guia de música na igreja.

Para começar no próximo domingo

Escolha um salmo curto, como o 121 ou o 100, e faça uma leitura responsiva no início do culto, com o texto projetado ou impresso e as partes bem marcadas. Nas semanas seguintes, experimente um salmo de lamento em um momento de oração e, depois, o roteiro dos quatro momentos. Aos poucos, a igreja vai descobrir nos Salmos uma escola de oração e de louvor que atravessa os séculos.

Perguntas frequentes

O que é salmodia exclusiva?

É a convicção, mantida por algumas igrejas reformadas e presbiterianas, de que no culto público devem ser cantados apenas os Salmos bíblicos, geralmente em versões metrificadas e, em muitos casos, sem instrumentos. Essas igrejas entendem que os Salmos são o hinário dado por Deus à igreja. A maioria das igrejas evangélicas canta os Salmos junto com hinos e cânticos.

Como fazer leitura responsiva de um salmo?

Divida o salmo entre um leitor e a congregação, alternando versículos ou metades de versículos, ou entre dois lados da igreja. Projete ou imprima o texto com as partes claramente indicadas. Salmos com refrão, como o 136, são ótimos para começar, porque a congregação repete a mesma frase depois de cada linha do leitor.

Existe saltério metrificado em português?

Sim. Igrejas reformadas e presbiterianas de língua portuguesa têm produzido versões metrificadas dos Salmos, e alguns hinários trazem salmos adaptados para o canto. As edições e as melodias variam, por isso vale consultar a sua denominação ou igrejas que praticam a salmodia para conhecer os saltérios disponíveis e em uso.

Salmos imprecatórios podem ser lidos no culto?

Podem, com explicação. Salmos como o 109 e o 137 expressam dor intensa e clamor por justiça diante de injustiças graves, entregando a vingança a Deus em vez de praticá-la. Lidos com contexto e à luz do ensino de Jesus sobre amar os inimigos, eles ensinam a igreja a levar a Deus sentimentos que normalmente escondemos.

  • salmos
  • liturgia
  • canto congregacional
  • leitura bíblica
  • hinologia
  • culto
Compartilhe:

IgrejaControl

Conheça o IgrejaControl

Sua igreja organizada, sua gente bem cuidada. Membros, células, escalas, eventos, tesouraria e app do membro em um só sistema. Comece sem cartão de crédito.

Equipe IgrejaControl

Conteúdo da equipe editorial do IgrejaControl, o sistema de gestão de igrejas da Gálago Sistemas. Escrevemos para pastores, tesoureiros, secretários e líderes, com respeito às diferentes tradições evangélicas. Os textos são informativos e não substituem a orientação de um contador, advogado ou do conselho da sua igreja.

Leia também