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Discipulado e pequenos grupos

Sociedades internas da igreja: SAF, UPH, UMP, UPA e UCP

Sociedades internas da igreja presbiteriana: o que são SAF, UPH, UMP, UPA e UCP, como eleger a diretoria, montar o plano de trabalho e prestar contas.

  • Por Equipe IgrejaControl
  • 11 min de leitura
Canecas brancas sobre a mesa de uma reunião
Foto: René Porter / Unsplash

As sociedades internas da igreja presbiteriana são grupos organizados por faixa etária ou por público (mulheres, homens, jovens, adolescentes e crianças) que reúnem os membros para estudo da Palavra, oração, comunhão e serviço, sempre sob a supervisão do conselho. Na Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) elas têm nomes conhecidos: SAF (Sociedade Auxiliadora Feminina), UPH (União Presbiteriana de Homens), UMP (União de Mocidade Presbiteriana), UPA (União Presbiteriana de Adolescentes) e UCP (União de Crianças Presbiterianas).

Elas não são ministérios independentes nem igrejas paralelas. Cada sociedade tem diretoria eleita, plano de trabalho, reuniões regulares e um conselheiro indicado pelo conselho, e presta contas a ele. A seguir você encontra o que é cada sociedade, como elas se ligam ao governo presbiteriano, como organizar a diretoria, montar o plano anual, cuidar das finanças e evitar os erros mais comuns.

O que são as sociedades internas da igreja

Uma forma presbiteriana de organizar a comunhão

A igreja de Atos perseverava "na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações" (Atos 2.42). As sociedades internas são um meio ordenado de viver isso entre pessoas que compartilham a mesma fase da vida. A mulher que acabou de ficar viúva encontra na SAF irmãs que já passaram pelo luto. O adolescente encontra na UPA colegas com as mesmas perguntas e um conselheiro preparado para orientá-lo.

Paulo orientou Tito a cuidar de que as mulheres mais velhas ensinassem as mais novas e de que os jovens fossem exortados ao domínio próprio (Tito 2.3-6). As sociedades internas dão forma estável a esse cuidado entre gerações e entre pares, sem tirar do conselho o governo da igreja nem do púlpito a centralidade da pregação.

O que elas não são

As sociedades internas da IPB não são ofícios nem concílios. Quem governa a igreja local é o conselho, formado pelo pastor e pelos presbíteros regentes; a diretoria de uma sociedade não toma decisões que caibam ao conselho, não administra sacramentos, não recebe nem exclui membros da igreja e não define doutrina. Elas também não substituem a Escola Dominical nem o culto público: são complementares a eles.

Para entender o lugar do conselho na estrutura presbiteriana, veja o artigo sobre modelos de governo de igreja.

As cinco sociedades internas da IPB

As faixas etárias abaixo são as usadas de forma geral na IPB, mas confirme os limites exatos no manual vigente das sociedades internas e nas orientações das secretarias nacionais, porque podem ser revistos pelos concílios.

SociedadePúblicoÊnfases comuns
SAF — Sociedade Auxiliadora FemininaMulheres adultas da igrejaEstudo bíblico, oração, visitação, apoio diaconal, cuidado com enfermas e viúvas
UPH — União Presbiteriana de HomensHomens adultosEstudo, liderança no lar, apoio prático à igreja, cuidado entre irmãos
UMP — União de Mocidade PresbiterianaJovens, aproximadamente dos 18 aos 35 anosEstudo doutrinário, comunhão, evangelização, serviço
UPA — União Presbiteriana de AdolescentesAdolescentes, aproximadamente dos 12 aos 18 anosFormação no Catecismo, amizade cristã, preparo para a profissão de fé
UCP — União de Crianças PresbiterianasCrianças em idade escolarHistórias bíblicas, memorização, catecismo infantil, hábitos de oração

Ligações além da igreja local

Cada sociedade local pode se ligar a uma federação no âmbito do presbitério, a uma confederação sinodal e à confederação nacional, com secretarias que produzem material de estudo, organizam congressos e acompanham o trabalho. Essas instâncias apoiam e articulam; o governo da sociedade local continua com o conselho da igreja.

Na prática, isso significa que a UMP da sua igreja pode participar do congresso da federação do presbitério, usar o tema anual sugerido pela confederação e, ao mesmo tempo, seguir o calendário e as prioridades que o conselho aprovou para a igreja local.

A relação com o conselho

O conselheiro

Cada sociedade tem um conselheiro, presbítero ou pastor designado pelo conselho. Ele acompanha as reuniões da diretoria, orienta o estudo, zela para que o ensino esteja de acordo com a Confissão de Fé de Westminster e os catecismos, e leva ao conselho as necessidades e os pedidos da sociedade.

O bom conselheiro não é um fiscal distante nem um presidente disfarçado. Ele aparece, ora com a diretoria, conhece os sócios pelo nome e ajuda a sociedade a crescer em maturidade. Em igrejas com poucos presbíteros, um mesmo oficial pode acompanhar duas sociedades, desde que tenha tempo real para isso.

O que passa pelo conselho

Algumas decisões sempre dependem do conselho, mesmo que a sociedade tenha autonomia para conduzir as reuniões:

  • organizar ou reorganizar a sociedade na igreja;
  • aprovar o plano de trabalho anual e o calendário que envolve a igreja toda;
  • aprovar o material de estudo quando ele não vem das publicações da própria IPB;
  • receber o relatório anual e a prestação de contas da tesouraria;
  • autorizar eventos fora do templo, viagens e atividades com menores;
  • tratar de questões disciplinares, que nunca são resolvidas pela diretoria.

O artigo sobre reunião de conselho da igreja mostra como registrar essas decisões em ata.

Diretoria, estatuto e regimento

Composição da diretoria

A diretoria costuma ter presidente, vice-presidente, secretários e tesoureiro, eleitos pelos sócios para mandato definido no manual e com a eleição comunicada ao conselho. Nas sociedades de adolescentes e de crianças, a condução fica com adultos orientadores, e os próprios adolescentes ou crianças exercem cargos de forma educativa, com acompanhamento.

CargoResponsabilidades principais
PresidenteConvoca e dirige as reuniões, coordena o plano de trabalho, representa a sociedade junto ao conselheiro
Vice-presidenteSubstitui o presidente e assume frentes do plano (estudo, visitação, eventos)
Secretário(a)Lavra as atas, controla o rol de sócios e a frequência, cuida da correspondência
Tesoureiro(a)Registra entradas e saídas, guarda comprovantes, apresenta balancete e prestação de contas

Estatuto, regimento e manual

As sociedades internas da IPB seguem normas comuns definidas pela igreja nacional no manual das sociedades internas, e as federações e confederações têm seus próprios estatutos. Na igreja local, o mais comum é a sociedade adotar o modelo de regimento previsto nesse manual, com as adaptações que o conselho aprovar, sem criar regras que contrariem a Constituição da IPB.

Não invente um estatuto próprio do zero nem registre a sociedade como pessoa jurídica separada: ela é parte da igreja local. Se houver dúvida sobre qual modelo usar, o conselheiro consulta a federação e o conselho decide.

Eleição e posse

Uma sequência simples para a eleição anual:

  1. Convocação com antecedência, em reunião ordinária e nos avisos da igreja.
  2. Lista de sócios aptos, conferida pela secretaria da sociedade.
  3. Eleição conduzida pelo presidente ou pelo conselheiro, com voto dos sócios presentes.
  4. Ata com os eleitos, o número de votos e a assinatura de quem dirigiu.
  5. Comunicação ao conselho e posse em culto ou reunião, com oração pela nova diretoria.

Plano de trabalho anual

Como montar o plano

O plano de trabalho é a forma de a sociedade deixar de viver de improviso. Ele cabe em uma página e responde: o que vamos estudar, como vamos servir, quando vamos nos reunir e quem cuida de cada frente. Monte-o com a diretoria e o conselheiro no fim do ano anterior e leve-o ao conselho antes de divulgar.

Estudo no centro

O plano começa pelo estudo, não pelos eventos. A Escritura e os símbolos de fé (Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior e Breve Catecismo) são o alimento das sociedades. Revistas das publicações da IPB, livros de autores reformados e estudos expositivos de livros da Bíblia funcionam bem. Para quem vai conduzir, vale combinar com o conselheiro um método simples: ler o texto, observar o que ele diz, entender o que significava para os primeiros leitores e só então aplicar.

Serviço em harmonia com a igreja

A SAF que organiza a visitação a enfermas, a UPH que ajuda na manutenção e a UMP que serve no acolhimento dos visitantes estão servindo à igreja inteira. Combine essas frentes com a junta diaconal e com o conselho, para que ninguém faça o trabalho em dobro nem atropele quem já cuida da área.

Finanças e prestação de contas

Regras básicas

Muitas sociedades recebem contribuições dos sócios e ofertas de eventos para custear o próprio plano de trabalho. Isso é legítimo, desde que haja transparência:

  • toda entrada e saída registrada em livro-caixa ou sistema, com data, descrição e valor;
  • comprovante para cada despesa, guardado pela tesouraria;
  • dinheiro nunca em conta pessoal: use a conta da igreja, com controle por centro de custo;
  • balancete periódico apresentado na reunião da sociedade;
  • prestação de contas anual ao conselho, junto com o relatório de atividades.

O artigo sobre prestação de contas da igreja detalha como organizar os comprovantes e o relatório.

Relatório anual

O relatório anual é a memória da sociedade. Ele registra quantos sócios havia no início e no fim do ano, quais estudos foram feitos, as atividades de serviço, os eventos, as finanças e os pedidos ao conselho. Um relatório bem feito ajuda a próxima diretoria a começar de onde a anterior parou e permite ao conselho acompanhar a vida da igreja.

Sociedades internas em diferentes realidades

  • Igreja pequena, com 40 ou 50 membros: comece pela sociedade que tem mais gente disponível, muitas vezes a SAF, e reúna adolescentes e jovens em uma classe da Escola Dominical até haver número suficiente para a UPA e a UMP.
  • Igreja com congregações: cada congregação pode ter seu núcleo, ligado à sociedade da igreja sede, com um responsável local e relatório para a diretoria principal.
  • Pastor bivocacional: delegue o acompanhamento a presbíteros conselheiros e reserve encontros trimestrais com todas as diretorias.
  • Igreja recém-organizada: organize as sociedades aos poucos, com o conselho definindo prioridades e as federações do presbitério ajudando com material e formação.

O artigo sobre ministério de mulheres e o que trata do ministério de jovens trazem ideias práticas de agenda e cuidado que podem ser adaptadas à SAF e à UMP. Para crianças e adolescentes, veja o artigo sobre UCP e UPA.

Erros comuns

  • Tratar a sociedade como grupo independente, com agenda e regras próprias que não passam pelo conselho.
  • Viver só de eventos, deixando o estudo bíblico e catequético em segundo plano.
  • Diretoria eterna, com as mesmas pessoas nos mesmos cargos por décadas, sem formar novos servos.
  • Finanças informais, com dinheiro guardado em casa ou em conta pessoal.
  • Conselheiro só no papel, que nunca aparece nas reuniões.
  • Competição entre sociedades por espaço, datas e verbas, em vez de cooperação.
  • Esquecer quem não se encaixa: solteiros acima da faixa da UMP, viúvos, recém-chegados. Cuide para que ninguém fique sem lugar de comunhão.

Checklist para organizar ou revitalizar uma sociedade

Como organizar isso na rotina da igreja

Boa parte do peso de uma sociedade interna está nos controles: quem são os sócios, quem está na diretoria, quando são as reuniões, quanto entrou e saiu. O IgrejaControl ajuda a manter isso em ordem sem planilhas soltas:

  • cadastro de membros com ministérios e cargos, para saber quem é sócio de cada sociedade e quem compõe a diretoria, no cadastro da igreja;
  • grupos com reuniões e presença, usando o módulo de pequenos grupos para registrar os encontros da sociedade;
  • eventos com inscrição, para congressos, retiros e cultos de gratidão;
  • centros de custo no financeiro, para que as entradas e saídas de cada sociedade apareçam separadas na prestação de contas;
  • avisos por grupo no app do membro, para lembrar só os sócios da reunião da semana.

Para começar esta semana

Escolha uma sociedade da sua igreja e faça uma pergunta simples à diretoria: temos um plano de trabalho aprovado pelo conselho para este ano? Se a resposta for não, marque com o conselheiro uma reunião de uma hora para escrever o plano em uma página, com estudo, oração, serviço e responsáveis. Para pensar no lugar das sociedades dentro do cuidado da igreja como um todo, leia o guia de discipulado na igreja.

Perguntas frequentes

Quem pode participar de uma sociedade interna da igreja?

Em regra, membros da igreja local da faixa etária ou do grupo a que a sociedade se destina: mulheres na SAF, homens na UPH, jovens na UMP, adolescentes na UPA e crianças na UCP. Visitantes e não membros costumam ser bem-vindos às reuniões, mas votar e ocupar cargos na diretoria depende das normas do manual e da decisão do conselho.

A sociedade interna pode ter dinheiro próprio?

Pode administrar recursos para o seu plano de trabalho, como contribuições dos sócios e ofertas de eventos, mas não é uma entidade separada da igreja. A tesouraria da sociedade presta contas ao conselho, registra entradas e saídas com comprovantes e não abre conta bancária em nome de pessoa física. O ideal é que tudo passe pela contabilidade da igreja.

Quem escolhe o conselheiro da sociedade interna?

O conselho da igreja. O conselheiro é um presbítero ou o pastor designado para acompanhar a sociedade, orientar a diretoria, zelar pela doutrina e pela ordem e servir de ponte entre a sociedade e o conselho. Ele não substitui a diretoria, mas participa das reuniões e acompanha o plano de trabalho.

Igreja pequena precisa ter todas as sociedades internas?

Não. Uma igreja com poucos membros pode começar com uma ou duas sociedades, como a SAF e a UPA, e reunir as demais faixas na Escola Dominical até haver pessoas suficientes. Criar uma sociedade sem sócios nem diretoria disponível gera desgaste. A decisão de organizar cada sociedade cabe ao conselho, conforme a realidade da igreja.

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Conteúdo da equipe editorial do IgrejaControl, o sistema de gestão de igrejas da Gálago Sistemas. Escrevemos para pastores, tesoureiros, secretários e líderes, com respeito às diferentes tradições evangélicas. Os textos são informativos e não substituem a orientação de um contador, advogado ou do conselho da sua igreja.

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