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Contabilidade e legislação

Contabilidade para igrejas: por que a igreja precisa de contador

Contabilidade para igrejas: por que a organização religiosa precisa de contador, o que ele faz, como escolher e como a tesouraria deve entregar os dados.

  • Por Equipe IgrejaControl
  • 10 min de leitura
Capa do artigo sobre contabilidade para igrejas, com título e ilustração abstrata de documentos e números em verde-petróleo

A contabilidade para igrejas é o trabalho técnico de registrar, organizar e demonstrar a vida financeira e patrimonial da igreja segundo as normas contábeis, e de cumprir as obrigações perante a Receita Federal e outros órgãos. Toda igreja com CNPJ precisa de um contador porque, mesmo com imunidade de impostos, continua obrigada a manter escrituração, entregar declarações e cumprir exigências da folha e de pagamentos a terceiros. A tesouraria cuida do dia a dia do dinheiro; o contador transforma esses registros em contabilidade oficial. A seguir mostramos a divisão de papéis, como escolher um contador e o que a tesouraria deve entregar todo mês.

Tesouraria não é contabilidade

Muitas igrejas acham que têm contabilidade porque o tesoureiro mantém uma planilha caprichada. É um bom começo, mas não é a mesma coisa.

TesourariaContabilidade
Quem fazTesoureiros eleitos ou nomeados, muitas vezes voluntáriosContador habilitado no conselho regional
O que fazRecebe, conta, paga, lança e concilia o dia a diaEscritura, elabora demonstrações e cumpre obrigações acessórias
BasePlano de contas gerencial, boletins de contagem, comprovantesNormas contábeis e legislação
Para quemLiderança, conselho fiscal e assembleiaÓrgãos públicos, liderança e terceiros
ResultadoControle, relatórios gerenciais e prestação de contasEscrituração contábil e demonstrações oficiais

As duas funções se completam. Uma boa tesouraria facilita muito o trabalho do contador; um bom contador orienta a tesouraria sobre como registrar. O problema começa quando uma tenta substituir a outra.

Imagine uma igreja de 90 membros em que a tesoureira, voluntária e muito cuidadosa, lança tudo numa planilha e apresenta um relatório claro todo trimestre. A assembleia confia, o conselho fiscal aprova e todos ficam tranquilos. Anos depois, numa troca de diretoria, alguém tenta tirar uma certidão para regularizar o imóvel e descobre pendências no CNPJ: declarações que nunca foram entregues, porque ninguém sabia que eram obrigatórias. A planilha estava certa; faltava a contabilidade. Histórias assim são comuns e quase sempre evitáveis.

O inverso também acontece. Há igrejas que pagam um escritório, mas entregam ao contador uma caixa de recibos soltos no fim do ano. O contador faz o que pode com o que recebe, e o resultado é uma contabilidade formal que não reflete bem a realidade. Por isso este texto fala tanto do contador quanto do que a tesouraria precisa fazer.

Por que a igreja precisa de contador

A igreja é uma organização religiosa, pessoa jurídica de direito privado segundo o Código Civil. Isso traz liberdade de organização interna, mas também responsabilidades como qualquer pessoa jurídica.

Obrigações perante a Receita

A imunidade tributária afasta impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços ligados às finalidades da igreja, mas não dispensa obrigações acessórias: escrituração, declarações e informações que precisam ser enviadas aos órgãos públicos. Quais são exatamente, com que periodicidade e em que condições, depende da situação da igreja e das normas vigentes. Esse acompanhamento é trabalho do contador, que deve conferir as regras no site da Receita Federal. Os detalhes de algumas dessas obrigações estão em artigos próprios, como o de escrituração contábil digital (ECD) na igreja.

Demonstrações contábeis

As demonstrações contábeis, como balanço patrimonial e demonstração do resultado, mostram a posição da igreja de forma padronizada. Elas são a base para a prestação de contas à assembleia, para pedidos de certidões e para qualquer situação em que a igreja precise provar sua regularidade. O Conselho Federal de Contabilidade tem normas próprias para entidades sem finalidade de lucros, como a ITG 2002; o seu contador deve indicar como elas se aplicam à igreja, conforme a versão vigente publicada pelo CFC.

Folha e previdência

Se a igreja tem funcionários, paga prestadores de serviço ou remunera ministros, há obrigações trabalhistas, previdenciárias e de retenção. Cada tipo de pagamento tem tratamento próprio. Erros aqui costumam gerar multas e passivos que aparecem anos depois, muitas vezes numa troca de liderança.

O que o contador faz por uma igreja

Um contador que atende bem uma igreja costuma:

  • escriturar os lançamentos contábeis a partir dos documentos da tesouraria;
  • elaborar as demonstrações contábeis do exercício;
  • cumprir obrigações acessórias perante a Receita e outros órgãos, nos prazos;
  • processar a folha de funcionários, quando houver, e orientar sobre recolhimentos;
  • orientar retenções em pagamentos a prestadores de serviço;
  • apoiar a prestação de contas e responder dúvidas do conselho fiscal;
  • alertar sobre riscos, como confusão patrimonial, receitas sem comprovação ou pagamentos irregulares;
  • ajudar a manter a regularidade do CNPJ e das certidões.

O que o contador não faz: receber ofertas, decidir gastos, aprovar orçamento ou assumir a administração financeira. Essas responsabilidades são da diretoria e da tesouraria, conforme o estatuto.

Sinais de que a contabilidade da igreja precisa de atenção

Algumas situações indicam que algo não vai bem, seja por falta de contador, seja por falhas na relação com ele:

  • ninguém na liderança sabe dizer quais declarações a igreja entrega por ano;
  • a igreja não consegue emitir certidões quando precisa;
  • as demonstrações do exercício chegam muitos meses depois do fim do ano, ou nunca chegam;
  • o saldo da contabilidade não bate com o saldo do banco;
  • pagamentos a pessoas físicas são feitos sem recibo nem orientação sobre retenções;
  • o contador só é procurado quando surge um problema.

Se dois ou mais desses sinais aparecem na sua igreja, vale uma reunião franca com o contador atual ou a busca de um novo profissional.

Como o trabalho muda conforme o porte da igreja

  • Igreja pequena, sem funcionários: o foco está na escrituração, nas obrigações acessórias e na regularidade do CNPJ. O volume de lançamentos é baixo, mas as obrigações existem.
  • Igreja média, com funcionários: entra a folha de pagamento, com encargos e obrigações próprias. A comunicação entre tesouraria e contador precisa ser mensal e pontual.
  • Igreja com congregações: a contabilidade precisa consolidar várias unidades, e o uso de centros de custo ganha importância. A tesouraria central organiza tudo antes de enviar.

Como escolher um contador para igreja

Nem todo escritório de contabilidade conhece bem o terceiro setor. Vale investir tempo na escolha.

Experiência com terceiro setor

Prefira profissionais que já atendem igrejas, associações ou outras entidades sem fins lucrativos. Eles conhecem as particularidades: imunidade, doações, receitas designadas, sustento pastoral, prestação de contas a assembleias. Peça referências de outras entidades atendidas.

Perguntas para a entrevista

Compare propostas pelo escopo, e não só pelo preço. Uma proposta barata que não inclui as obrigações acessórias pode sair cara depois.

O que influencia o custo do contador

Não existe tabela única de honorários para igrejas. O valor costuma variar conforme:

  • o volume de lançamentos e de contas bancárias;
  • a existência de funcionários e o tamanho da folha;
  • o número de congregações a consolidar;
  • a organização dos documentos entregues pela tesouraria;
  • serviços extras, como reuniões com o conselho fiscal, regularização de pendências antigas ou apoio em fiscalizações.

O último item é o que a igreja mais controla. Documentos organizados e lançamentos já classificados reduzem o tempo do contador, e isso costuma se refletir no custo e na qualidade do serviço.

Quando trocar de contador

Trocar de contador é uma decisão séria, mas às vezes necessária: prazos perdidos, falta de resposta, desconhecimento das particularidades de igreja. Se decidir trocar, planeje a transição. Peça ao contador anterior os livros, as demonstrações, os recibos de entrega das declarações e as senhas e certificados que ele usava em nome da igreja. Registre em ata a contratação do novo profissional e apresente-o à tesouraria e ao conselho fiscal.

O que a tesouraria entrega todo mês

A qualidade da contabilidade depende da qualidade do que chega ao contador. Uma tesouraria organizada reduz retrabalho, custos e erros.

Extratos e conciliação

Envie os extratos de todas as contas bancárias e aplicações da igreja, já conciliados com os lançamentos da tesouraria. A conciliação mostra que tudo o que foi lançado aconteceu no banco, e vice-versa. Se houver diferença, explique antes de enviar.

Comprovantes organizados

Cada despesa precisa de documento: nota fiscal, recibo, boleto pago, comprovante de Pix. Organize por mês e na ordem dos lançamentos, digitalizados com nome claro. Receitas também precisam de lastro: boletins de contagem assinados, relatório de dízimos e ofertas, comprovantes de depósito.

Folha e pagamentos a terceiros

Informe admissões, desligamentos, férias, afastamentos e alterações salariais antes do fechamento da folha. Para pagamentos a prestadores de serviço (eletricista, músico convidado, pregador itinerante), envie contrato ou recibo com os dados do prestador, para que o contador oriente sobre retenções.

Roteiro mensal de envio ao contador

Combine com o contador uma data fixa e siga este roteiro.

Em uma igreja pequena, esse pacote pode sair em uma hora por mês, se os lançamentos foram feitos ao longo das semanas. Em igrejas com congregações, cada congregação envia seus comprovantes à tesouraria central, que consolida antes de mandar ao contador.

Ao longo do ano

Além do envio mensal, alguns momentos pedem contato especial com o contador:

MomentoO que combinar
Início do exercícioPlano de contas, centros de custo e ajustes para o ano
Antes da assembleia de prestação de contasDemonstrações do exercício e explicação dos números ao conselho fiscal
Troca de diretoria ou tesoureiroApresentação dos novos responsáveis, acessos e procurações
Compra ou venda de imóvelDocumentação, registro e reflexos contábeis
Contratação de funcionárioAdmissão, folha e obrigações correspondentes
Campanhas grandesForma de registrar e prestar contas das receitas designadas

Erros comuns na relação com o contador

  • Enviar documentos do trimestre todo de uma vez, perto do prazo.
  • Mandar fotos ilegíveis de recibos pelo WhatsApp, sem organização.
  • Não informar pagamentos feitos em espécie.
  • Esconder problemas ("depois a gente vê") em vez de pedir orientação.
  • Trocar de tesoureiro sem apresentar o novo responsável ao contador.

Na prática com o IgrejaControl

O IgrejaControl não substitui o contador, mas faz a parte da tesouraria chegar pronta. No financeiro do sistema:

  • o plano de contas e os centros de custo classificam cada lançamento desde o início;
  • a conciliação bancária por OFX confere lançamentos e extrato antes do envio;
  • fornecedores ficam cadastrados, com histórico de pagamentos;
  • contas a pagar e a receber guardam vencimentos e pagamentos;
  • relatórios, DRE e fluxo de caixa podem ser exportados para o contador;
  • a tesouraria de culto registra as entradas com conferência de dois tesoureiros.

Veja como o plano de contas para igrejas e a DRE para igrejas ajudam nessa conversa e, se quiser comparar opções, leia sobre software financeiro para igreja. O panorama das exigências está no guia de obrigações legais da igreja.

Para começar esta semana

Ter contador não é luxo nem burocracia: é a forma de a igreja cuidar dos recursos que recebe com a mesma seriedade com que cuida das pessoas. Se a sua igreja ainda não tem contador, use o checklist de entrevista acima e converse com pelo menos dois profissionais. Se já tem, marque uma reunião curta para combinar o roteiro mensal de envio e a data fixa de entrega. Esse único combinado costuma resolver metade dos atrasos e das dúvidas do ano.

Perguntas frequentes

Um membro contador pode fazer a contabilidade da igreja de graça?

Pode, desde que seja profissional habilitado, assuma formalmente a responsabilidade técnica e tenha tempo para cumprir prazos. O risco é tratar o serviço como favor e deixar obrigações atrasarem. Formalize o combinado por escrito, defina entregas e prazos e evite que o mesmo membro acumule funções de tesouraria e contabilidade.

Contabilidade de igreja é mais barata?

O custo depende do volume de lançamentos, do número de funcionários, da quantidade de congregações e das obrigações que a igreja precisa cumprir. Igrejas com poucos movimentos e sem folha tendem a exigir menos trabalho. Peça propostas detalhadas, compare o que está incluído e desconfie de preços que não explicam o escopo.

O que acontece se a igreja não tiver contabilidade?

A igreja fica sem escrituração regular, pode deixar de entregar declarações obrigatórias e fica exposta a multas, pendências no CNPJ e dificuldade para obter certidões. Além disso, perde a principal forma de demonstrar que seus recursos são aplicados nas finalidades religiosas, o que é importante para a proteção tributária.

O contador pode assinar a prestação de contas?

O contador assina as demonstrações contábeis que prepara, como responsável técnico. A prestação de contas à assembleia, porém, é da diretoria e da tesouraria, com parecer do conselho fiscal quando o estatuto prevê. O contador pode apoiar na preparação e explicar os números, mas não substitui quem administra os recursos.

Fontes e referências

  1. Conselho Federal de Contabilidade
  2. Receita Federal
  3. Código Civil — Lei nº 10.406/2002
  • contabilidade
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  • tesouraria
  • obrigações legais
  • prestação de contas
  • organização religiosa
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Conteúdo da equipe editorial do IgrejaControl, o sistema de gestão de igrejas da Gálago Sistemas. Escrevemos para pastores, tesoureiros, secretários e líderes, com respeito às diferentes tradições evangélicas. Os textos são informativos e não substituem a orientação de um contador, advogado ou do conselho da sua igreja.

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