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Tesouraria e finanças

Plano de contas para igrejas: modelo e como adaptar

Plano de contas para igreja com modelo comentado de receitas, despesas e patrimônio, e como adaptar à realidade da sua igreja junto com o contador.

  • Por Equipe IgrejaControl
  • 10 min de leitura
Capa do artigo sobre plano de contas para igrejas, com título e ilustração de gráficos financeiros em verde-petróleo

O plano de contas para igreja é a lista organizada de categorias usadas para classificar tudo o que entra e sai do caixa: dízimos, ofertas, campanhas, sustento pastoral, energia, missões, manutenção e assim por diante. Com um bom plano de contas, a tesouraria sabe onde lançar cada valor, o orçamento fica comparável mês a mês e os relatórios respondem às perguntas da liderança. Abaixo você encontra um modelo comentado de receitas, despesas e contas de patrimônio, os princípios para montar o seu e como adaptá-lo à igreja pequena ou à sede com congregações.

Um alerta antes: o modelo deste texto é gerencial, feito para a tesouraria. A escrituração contábil oficial é responsabilidade do contador, que usa um plano próprio e segue as normas do Conselho Federal de Contabilidade. O ideal é que os dois planos conversem, e isso se resolve numa boa reunião com o contador.

O que é um plano de contas e para que ele serve na igreja

Pense no plano de contas como as gavetas de um arquivo. Cada entrada ou saída de dinheiro precisa ir para uma gaveta. Se as gavetas são bem definidas, qualquer tesoureiro encontra o que procura; se são confusas, cada um guarda de um jeito e ninguém consegue somar nada.

Na igreja, o plano de contas serve para:

  • registrar receitas e despesas de forma padronizada, mesmo com troca de tesoureiro;
  • comparar meses e anos (a energia subiu? as ofertas de missões caíram?);
  • orçar o próximo ano a partir do histórico;
  • prestar contas à assembleia e ao conselho fiscal com clareza;
  • entregar dados organizados ao contador.

Plano gerencial x plano contábil

Plano gerencial (tesouraria)Plano contábil (contador)
ObjetivoApoiar decisões e prestação de contas internaEscrituração oficial e demonstrações contábeis
LinguagemSimples, com os nomes que a igreja usaTécnica, conforme normas contábeis
Nível de detalheO que a liderança precisa acompanharO que a norma e o contador exigem
Quem mantémTesouraria, com aprovação do conselhoContador

Para igrejas, o CFC tem normas específicas para entidades sem finalidade de lucros, como a ITG 2002. Não reproduzimos aqui as regras dessa norma: confira a versão vigente no site do Conselho Federal de Contabilidade e peça ao seu contador que indique como ela se reflete no plano de contas da igreja.

Princípios para um bom plano de contas

Antes do modelo, três princípios que valem para qualquer igreja, do ponto de pregação à igreja com várias congregações.

Poucos níveis

Dois ou três níveis bastam para a tesouraria: grupo (Receitas), subgrupo (Dízimos e ofertas) e conta (Dízimos). Mais do que isso confunde quem lança e raramente é usado nos relatórios. O detalhe fino, quando necessário, vem do histórico do lançamento ou do centro de custo.

Nomes claros

"Material de limpeza" é melhor do que "Despesas diversas 3". Evite contas genéricas como "Outros" com valores altos: se "Outros" passa de uma pequena fração das despesas, alguma conta está faltando. E escreva uma descrição de uma linha para cada conta, dizendo o que entra nela.

Estabilidade ao longo dos anos

Um plano de contas que muda todo ano impede comparações. Faça ajustes na virada do exercício, nunca apague contas com lançamentos (desative) e registre as alterações. Estabilidade é o que transforma lançamentos em histórico útil.

Modelo comentado: grupos de receitas

O modelo abaixo usa numeração simples. Adapte nomes e códigos à sua realidade.

Dízimos e ofertas

Separar dízimos de ofertas gerais ajuda a entender a base estável de sustento da igreja. Ofertas da escola bíblica e das células podem ficar separadas se a igreja quiser acompanhar esses valores; se não, cabem em "ofertas gerais".

Ofertas designadas e campanhas

Aqui está um dos pontos mais importantes do plano: ofertas designadas têm destino definido por quem ofertou. Elas precisam de contas próprias para que a igreja consiga mostrar quanto entrou e quanto foi aplicado na finalidade prometida. Usar esse dinheiro para pagar a conta de luz, mesmo temporariamente, exige decisão formal e comunicação aos ofertantes.

Outras receitas

Receitas que não são dízimos nem ofertas ficam separadas porque podem ter tratamento contábil e tributário diferente. Pergunte ao contador sobre cada uma delas, especialmente vendas e aluguéis.

Modelo comentado: grupos de despesas

As despesas costumam ser a parte mais longa do plano. Agrupe por natureza, pensando em como a liderança conversa sobre o orçamento.

Pessoal e sustento pastoral

A forma de remunerar o pastor e o tratamento previdenciário variam conforme o vínculo e exigem orientação do contador. No plano de contas, o importante é manter o sustento pastoral separado de salários de funcionários e de serviços eventuais.

Estrutura e manutenção

Ministérios, ação social e missões

Repare que "Missões" aparece como receita designada (1.2.01) e como despesa (2.4.01). É isso que permite responder à pergunta "tudo o que foi ofertado para missões chegou lá?".

Administrativas e financeiras

Juros e multas merecem conta própria: quando aparecem com frequência, mostram problema de fluxo de caixa ou de organização de vencimentos.

Contas de patrimônio e de movimentação

Além de receitas e despesas, a tesouraria precisa registrar onde o dinheiro está e como ele circula.

Caixa e bancos

Cada conta bancária da igreja, sempre no CNPJ da igreja, tem sua própria conta no plano. O saldo de cada uma deve bater com o extrato na conciliação mensal.

Transferências entre contas

Mover dinheiro da conta corrente para a aplicação da reserva não é despesa nem receita. É uma transferência. Se ela for lançada como despesa de um lado e receita do outro, os relatórios mostram a igreja gastando e arrecadando mais do que de fato. Use sempre o lançamento de transferência entre contas.

Bens como imóveis, instrumentos, som e móveis ficam no controle de patrimônio. A compra de um bem durável costuma ter tratamento contábil próprio; combine com o contador como classificar essas aquisições.

Como adaptar o modelo à sua igreja

O modelo acima é um ponto de partida. A adaptação depende do tamanho e da estrutura da igreja.

Igreja pequena

Imagine uma igreja de 50 membros com um tesoureiro voluntário e poucas despesas fixas. Ela pode reduzir o plano a algo como:

  • Receitas: dízimos, ofertas, ofertas de missões, outras receitas.
  • Despesas: sustento pastoral, aluguel, energia e água, manutenção, ministérios, missões, administrativas, tarifas bancárias.

São pouco mais de uma dúzia de contas, fáceis de lembrar. Conforme a igreja cresce, subdivida as contas que ficaram grandes demais.

Um bom teste para saber se o plano da igreja pequena está no tamanho certo: o tesoureiro consegue lançar um mês inteiro sem consultar a lista mais de uma ou duas vezes? Se sim, está adequado. Se ele precisa parar a cada lançamento para decidir onde colocar, há contas demais ou nomes pouco claros. Lembre também que o pastor bivocacional ou o tesoureiro voluntário tem pouco tempo: um plano enxuto e bem nomeado é uma forma de cuidar deles.

Sede com congregações

Em igrejas com congregações, a tentação é criar contas como "Energia — Congregação Vila Nova" e "Energia — Sede". Não faça isso. O plano de contas diz o que foi gasto; a congregação é informada pelo centro de custo. Assim, a energia de todas as unidades fica na mesma conta, e o relatório por centro de custo mostra quanto cada uma gastou.

Implantação em quatro passos

  1. Rascunho: a tesouraria parte do modelo e ajusta os nomes à linguagem da igreja.
  2. Validação com o contador: cada conta gerencial é associada a uma conta contábil, para que a escrituração aproveite a classificação feita na tesouraria.
  3. Aprovação: o conselho ou a diretoria aprova o plano, e a decisão fica registrada.
  4. Início no exercício novo: o plano passa a valer a partir do primeiro mês do ano, com uma folha de instruções curta para quem lança.

Erros comuns

  • Conta "Diversos" enorme: sinal de que faltam contas ou de que ninguém sabe onde lançar.
  • Contas por pessoa ou fornecedor: "Pagamento ao João" não é conta; o fornecedor fica no cadastro, e a conta diz o que foi comprado.
  • Designadas misturadas com ofertas gerais: impede mostrar que o dinheiro de missões chegou a missões.
  • Uma conta para cada evento: eventos são melhor controlados por centro de custo.
  • Plano copiado de empresa comercial: contas como "vendas" e "custo de mercadorias" não fazem sentido para a maior parte da vida da igreja.

Plano de contas x centro de custo

Essa é a confusão mais comum. A regra prática:

  • Plano de contas: a natureza do valor (energia, dízimo, missões).
  • Centro de custo: quem gerou ou onde foi gasto (sede, congregação, ministério de jovens, retiro de carnaval).

Um lançamento de R$ 300 de energia na congregação Vila Nova é: conta 2.2.02 Energia elétrica, centro de custo "Congregação Vila Nova". Com isso, você consegue tanto o total de energia da igreja quanto o total gasto pela congregação. O artigo sobre centros de custo na igreja aprofunda o assunto, e a DRE para igrejas mostra como os dois se combinam no relatório de resultado.

Na prática com o IgrejaControl

No IgrejaControl, o plano de contas é configurável e é a espinha dorsal de todo o financeiro da igreja:

  • plano de contas configurável, ajustado aos nomes e grupos que a sua igreja usa;
  • centros de custo para sede, congregações, ministérios e eventos, combinados com o plano de contas em cada lançamento;
  • orçamento por conta, comparado com o realizado ao longo do ano;
  • DRE e relatórios gerados a partir dos lançamentos, prontos para a assembleia e o conselho fiscal;
  • transferências entre contas registradas como tal, sem distorcer receitas e despesas;
  • conciliação bancária por arquivo OFX, para conferir os saldos de cada conta com o extrato.

Tudo isso ajuda a entregar ao contador dados já classificados, o que facilita a escrituração, como explicamos em contabilidade para igrejas. Para ver o conjunto, vale ler também o guia completo de tesouraria da igreja e conhecer os planos.

Para começar esta semana

Um plano de contas bom é simples, estável e combinado com o contador. Nesta semana, pegue os lançamentos dos últimos três meses e tente classificá-los no modelo acima. As contas que ficarem vazias talvez sejam desnecessárias; os valores que não couberem em lugar nenhum mostram contas que faltam. Leve esse rascunho ao contador e ao conselho, ajuste, aprove e comece a usar no próximo mês, de preferência no início do exercício.

Perguntas frequentes

A igreja pode usar o mesmo plano de contas do contador?

Pode, mas nem sempre é o mais prático. O plano contábil costuma ter mais níveis e termos técnicos do que a tesouraria precisa no dia a dia. O melhor caminho é ter um plano gerencial mais simples na tesouraria, combinado com o contador para que cada conta gerencial corresponda a uma conta contábil.

Oferta missionária é receita ou deve ficar separada?

Ela entra como receita, mas em uma conta própria, separada dos dízimos e ofertas gerais, porque tem destino definido por quem ofertou. Essa separação permite mostrar quanto entrou para missões e quanto foi efetivamente repassado, e evita que o recurso seja usado para outra finalidade sem decisão formal.

Posso mudar o plano de contas no meio do ano?

É possível, mas o ideal é fazer mudanças na virada do exercício, para não quebrar a comparação entre meses. Se a mudança for inevitável, crie as contas novas sem apagar as antigas, registre a data da alteração e combine com o contador como tratar os lançamentos já feitos.

Quantas contas um plano de contas de igreja deve ter?

Não há número certo. Uma igreja pequena costuma funcionar bem com algumas dezenas de contas de receitas e despesas, e igrejas maiores precisam de mais detalhe. A regra prática é: cada conta deve responder a uma pergunta que a liderança realmente faz. Contas que nunca são consultadas podem ser agrupadas.

Fontes e referências

  1. Conselho Federal de Contabilidade
  • plano de contas
  • tesouraria
  • finanças da igreja
  • contabilidade
  • categorias financeiras
  • centro de custo
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Equipe IgrejaControl

Conteúdo da equipe editorial do IgrejaControl, o sistema de gestão de igrejas da Gálago Sistemas. Escrevemos para pastores, tesoureiros, secretários e líderes, com respeito às diferentes tradições evangélicas. Os textos são informativos e não substituem a orientação de um contador, advogado ou do conselho da sua igreja.

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